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samedi, août 28

Guardam as tardes, o silêncio
tranquilo e tolhido de movimento.

Habitam os homens
que precedem as partidas,
também tranquilos.

Que se vestem com acenos
na calma do momento.

Recordam os corpos calados
que se encurtam ferventes.

Que abertos nas costas
têm o peso da água.

Salpicam as horas graves.

Multiplicam-se no frio inerte da memória.

Julgam-se libertos, os homens,
com as palavras na expressão implacável
do entardecer dos passos últimos.


lundi, mars 22

(...)
porque há uma luz que nunca se apaga
vem-me de ti

jeudi, mars 4

Dias há para perceber o fundo do poço,
a sede dos dias que se afundam,
não se percebem.

E o fundo do poço percebe-se
que seja sede de dias.

De alturas antigas
que viajam em vertigem.

Viajam nos nossos filhos,
e na luz que nos protege
da sede.

A luz que descobre o fundo
dos poços.

A vertigem da descoberta
abre-nos a boca timidamente
e mata-nos a sede
dia-a-dia ,

como se de um suave amor
incondicional
se tratasse.


lundi, mars 1

Silente grito
aspergido pela saudade
nos meus veios circunscrito.

Capaz de derramar
gotículas longínquas de presença,

de tacanha fragilidade.


Silente grito caminhante,
viajante sem bagagem
rumo a um norte fátuo.