dimanche, février 28

Nas ondas da praia
Nas ondas do mar
Quero ser feliz
Quero me afogar.

Nas ondas da praia
Quem vem me beijar?
Quero a estrela-d'alva
Rainha do mar.

Quero ser feliz
Nas ondas do mar

Quero esquecer tudo
Quero descansar.
O desespero - percebes finalmente - 
era uma energia, uma espécie de caminho
para quem não tinha passos. Os amigos
(se assim lhes podias chamar) encontravam-se
à volta de uma garrafa e injuriavam toda a noite
o amor de que em breve se fariam escravos.

Falavam de quase nada, os olhos parados
na música, o corpo disponível
para charros, risos e derrotas. Essas ruas,
sabes, nunca mais foram assim
o rastilho da descrença e o motim da desrazão.
Coisas de facto imberbes - navalhas
que fingiam a dolorosa perfeição da indiferença.

Pouco importa. Outros sinais cresceram,
fazendo desses rostos uma porta
fechada onde nem pela memória
esperas o milagre de encontrar alguém.
Deve ser a morte, o fim, isso mesmo
que julgavas esconjurar quando punhas flores
no gargalo verde e vigiado das garrafas.

A luz dos últimos bares tomba agora
sobre um corpo esquivo, mais sozinho,
que nem sequer nestas palavras acredita.




(...) A gente nunca sabe nada sobre o outro. E aquele lá de cima, o Incognoscível, em que centésima carreira de pó cintilante sua bela narina se encontrava quando teve a idéia de criar criaturas e juntá-las? Oscar, traga os meus sais.


lundi, février 22

Algum tempo atrás, talvez uns dias, eu era uma moça caminhando por um mundo de cores, com formas claras e tangíveis. Tudo era misterioso e havia algo oculto; adivinhar-lhe a natureza era um jogo para mim. Se você soubesse como é terrível obter o conhecimento de repente - como um relâmpago iluminado a Terra! Agora, vivo num planeta dolorido, transparente como gelo. É como se houvesse aprendido tudo de uma vez, numa questão de segundos. Minhas amigas e colegas tornaram-se mulheres lentamente. Eu envelheci em instantes e agora tudo está embotado e plano. Sei que não há nada escondido; se houvesse, eu veria.